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quarta-feira, 10 de junho de 2015

Greve de fome e retenção de ônibus: Indígenas do Maranhão e Mato Grosso do Sul protestam reivindicando direitos

Quilombolas e Camponeses também estão em greve de fome no MA

Foto Ilustração _ Site  Terra de Direitos
 Se por um lado há cada vez mais endurecimento das autoridades descumprindo os seus direitos, por outro os povos originários, tradicionais e camponenes resistem como forma de exigir. Leia matérias postadas nos sites Combate Racismo Ambiental e Fatima News, a seguir (Tereza Amaral):
 
Índios retêm ônibus escolar e camionete da Prefeitura em protesto por melhorias
 
Índios da Aldeia Sete Cerros (Guarani-Kaiowá) retiveram um ônibus escolar e uma camionete da Prefeitura em protesto por melhorias na tarde desta terça-feira (9), em Paranhos, município localizado no sul do Estado que faz fronteira com o Paraguai e fica a 469 quilômetros da Capital.
 
Segundo o Cacique Pedro, cerca de 200 indígenas protestam em frente de escola perto da aldeia. “Somos trabalhadores, estamos aqui pedindo nossos direitos”, ressalta.
 
As principais reivindicações são a reforma da ponte que está quebrada desde o ano passado e impede a ida de cerca de 200 crianças para escola indígena, a entrega de merenda, que não tem sido feita, e a manutenção nas estradas. Eles pedem ainda que a escola nova construída pela Prefeitura funcione.
 
“Esta escola nova não tem água nem energia. Eles nunca resolvem nossos problemas, tentamos na conversa, mas ninguém da Prefeitura aparece, somos obrigados a protestar”, destaca a liderança indígena.
 
Segundo o cacique, o ônibus e a camionete só serão liberados depois que atenderem às reivindicações. “Se em uma semana não fizeram nada vamos bloquear o trevo da saída para Amambaí”, alerta.
 
Sem resposta
 
A equipe de reportagem ligou duas vezes no celular do prefeito Júlio Cesar de Souza (PDT), mas ele não atendeu as ligações. Ler original AQUI.
 
Quilombolas, indígenas e camponeses acampados no INCRA/MA iniciam greve de fome
 
Nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira (10), 26 lideranças quilombolas, indígenas e camponesas iniciaram uma greve de fome na sede do INCRA/MA, onde estão acampadas desde a última segunda-feira. Em 2011, depois de 12 dias de ocupação, dois padres da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e 17 lideranças quilombolas, todas ameaçadas de morte, fizeram uma greve de fome no mesmo local que durou 36 horas e só foi encerrada depois que representantes do Governo federal vieram ao Maranhão para negociar com os manifestantes. De acordo com os quilombolas, o Governo federal contratou 56 laudos antropológicos de comunidades, porém passados mais de 36 meses não foram concluídos. A fim de denunciar a indiferença e a violência promovida pelo Estado brasileiro, eles decidiram retomar a luta e iniciar uma nova greve de fome. Leia abaixo a nota divulgada pelas comunidades:
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Declaração do acampamento dos povos e comunidades tradicionais do Maranhão
Desde o dia 08 de junho de 2015 iniciamos o acampamento com a presença de comunidades entre indígenas, quilombolas e camponesas. As atividades se iniciaram com uma manifestação em frente ao Palácio dos Leões (sede do Governo estadual) em solidariedade à luta de comunidades do interior de São Luís, pela Criação da Reserva Extrativista Tauá-Mirim (RESEX), considerando que durante anos estas comunidades vêm sofrendo todo tipo violência por parte de grandes empreendimentos privados que contam com o apoio formal e acordos econômicas firmados com gestões do governo estadual. Para denunciar a violência policial contra comunidades e contra a juventude negra de periferia.
 
Na tarde do mesmo dia a ocupamos a sede da Superintendência estadual do INCRA a fim de denunciar a violência promovida pelo Estado brasileiro, a partir do descumprimento do artigo 68 do Ato das Disposições transitórias da Constituição Federal de 1988, que reconhece às comunidades quilombolas a propriedade definitiva dos seus territórios, devendo o Estado emitir-lhes os respectivos títulos.
A ação violenta do Estado atinge também comunidades indígenas que têm seus direitos à terra e ao bem viver negados pelas instituições que deveriam fazer cumprir o mandado constitucional, tais como a FUNAI.
 
Diante do silêncio e indiferença do Estado Brasileiro perante estas graves violações aos direitos destes povos, 26 lideranças quilombolas, indígenas e camponesas decidiram em assembléia iniciar uma greve de fome, semelhante à realizada  em 2011, a greve foi iniciada a partir das 7 da manhã do dia 10 de junho de 2015. Diante do exposto, declaramos que as consequências deste ato são de inteira responsabilidade do Estado brasileiro que continua a prática do racismo institucional e do genocídio contra nós.
Enviada para Combate Racismo Ambiental por Inaldo Vieira Serejo. Ler original AQUI.

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