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quarta-feira, 17 de junho de 2015

A desconfiança também mata...



Foto _ ARQUIVO PESSOAL
Por Tereza Amaral


Desconfiança, suspeita, receio. Eis o significado da palavra que conceitua exatamente o oposto - coragem proveniente da convicção no próprio valor, fé que se deposita em alguém, esperança firme, familiaridade, conforme o Dicionário do Aurélio.

O mestre das palavras esqueceu uma coisa: trata-se também da morte da verdade. Quem acredita ratifica a verdade que deposita no outro. Lamentavelmente, e depois de horas, noites e dias dedicados a quem  escolhi como sendo meu "esposo" - o povo Kaiowá -, eis que líderes se divorciam de mim e da forma mais cruel: passo a ser a "adúltera" porque carrego comigo o sobrenome de inimigos . Amaral. Eis, do lado dos indígenas - há exceções - a letra escarlate colocada em mim, esta que voz escreve pela última vez, pois a partir desta data abandono ativismo*.

Pensei em me despedir quando retornar ao Facebook depois do bloqueio. Mas sou como uma flecha, rápida e certeira. Não  tenho mais idade e nem tempo para aguardar ... Ao povo Guarani-Kaiowá, em especial aos que pressionam o cacique Ládio Veron responsabilizando-o por ter colocado uma "infiltrada" na causa, repito, conforme ja escrevi neste Blog, que nada tenho a esconder. NUNCA FUI INFILTRADA.

Neste momento tenho, sim, a revelar sangrando de decepção que o fato de amá-los incondicionalmente não  implica em me desrespeitar. Absolutamente não!

O sobrenome que vocês abominam é o meu maior orgulho. Tanto que poderia assinar textos com outros sobrenomes, mas o faço por um amor incomensurável pelo meu falecido pai. Ele (o amor é imortal) significa para mim o que lhes representa o tekoha - pertencimento -, a minha ancestralidade, a minha casa sangue. Se com toda a espiritualidade não me alcançaram...fazer o que?

Se existe uma pessoa incompreendida e considerada traída por quem antes conviveu diariamente, muito embora virtualmente, mas vale ressaltar que com excelentes resultados frutos do meu trabalho com outros que atuam na causa indigena, esta pessoa sou eu.

Nos últimos dias, sofrendo  com a falta de justiça por quem luta pela justiça, ouvi de uma irmã psiquiatra e escritora, extremamente sensível e generosa:

- Você sente tanta compaixão pelos outros e não sente por você?

A pergunta acordou em mim toda a injustiça a que venho sendo submetida com o espinho da desconfiança. Eu poderia ficar horas tentando retirar espinhos, mas não. Basta! Sairei, pelo menos neste mundo virtual, crucificada. Mas no real irei esclarecer este assunto e sacramentar a minha despedida no Mato Grosso do Sul.

Para finalizar, respondo antecipadamente à liderança - nome mantido sob sigilo - que me perguntou, por telefone, se eu tinha medo dos Kaiowá: Nunca senti medo, mas um amor que desconhecia.



Tereza Amaral

* Este Blog finaliza postagens. Muito obrigada a todos os leitores!

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